sexta-feira, 8 de julho de 2011

DICIONÁRIO FLAMENCO - LETRA A

A COMPÁS -  Cante ou baile que é interpretado seguindo fielmente o ritmo ou cadência do estilo correspondente.

A PALO SECO -Vulgarmente o "palo seco" refere-se aos estilos do flamenco cantado sem qualquer acompanhamento da guitarra. Cante  realizado "a capella". Também chamamos de "a palo seco" a sequência de sapateados feito pelo bailaor, sem o acompanhamento de guitarra.

ABANDOLAOS - Fandangos de Málaga.

AFICIONADO -  Pessoa com entusiasmo pela arte flamenca

AFILLATipo de voz dentro do Cante Flamenco, rouca e rasgada.

AFLAMENCARSE - Fenômeno pelo qual uma música ou canção adquire características flamencas

ALBOREA - Cante Flamenco. Rito de casamento de costume cigano. Pertence ao canções influenciadas por Solea.


ALEGRIAS   Alegrias é um palo flamenco pertencente aos cantes de cadiz Cadiz, de um chamado cantiñas). Palo muito alegre e festivo, como o nome já diz, de compasso de 12 tempos.


ALZAPUA - Técnica do polegar da mão direita para o violão flamenco. Esta técnica consiste em reproduzir três sons com apenas dois "Ataques", fazendo "tresillos" mais ou menos rápidos, característica da música flamenca.


ANTIFONA - Sucessão de "ayeos" utilizados nos palos caña e polo.


ARRANCARSE - Começar a execução de uma música ou baile.

sábado, 2 de julho de 2011

OS CANTES FLAMENCOS

Fonte: Palo Flamencos - Pepe de Córdoba - Ed. Edicon


 As primeiras aparições historicamente constatáveis desta música a situam nos espaços mais caracteristicamente marginais da sociedade espanhola daquele momento. Em tal sentido , os contextos literários são altamente reveladores: ambientes carcerários, a serra como "habitat" de bandoleiros, contrabandistas, o mundo marinheiro e a mendicância são constantes e presentes nesses cantes. O flamenco também fazia-se presente nos locais de trabalho e nas reuniôes familiares.




 Os ciganos


    Desde o primeiro momento em que aparecem notícias explícitas sobre esses cantes flamencos , um grupo étnico proporciona aos mesmos inúmeros protagonistas: os ciganos. Tal circunstâncias levou os cronistas da época a estabelecer, sem maiores precauções , a hegemonia da roça cigana sobre a música em questão. Na verdade, gente de outras etnias contribuíram, igualmente, para o desenvolvimento dessa manifestação popular e, assim junto com cantos e músicas originárias dos ciganos (cantes gitanos) foram acumuladas outras formas musicais procedentes de diversas zonas do folclore andaluz, até amalgamar um gênero novo, o chamado cante flamenco. 
    Esse gênero ganhou popularidade e se difundiu nos "Cafés Cantantes", tão em voga na época e onde, como é sabido, se materializavam em nível de consumo de música popular as produções surgidas em toda a Espanha e , juntamente com o canto, ganhou cenário o baile andaluz.


Cafés Cantantes
 O primeiro cantaor de Flamenco, considerado profissional foi SilVerio Franconetti, que surgiu nos Cafés Cantantes.


 
 Outras teorias sobre as origens do cante flamenco e suas diversas fases:


     As primeiras referências documentadas sobre a existência  do flamenco na forma de cante,  e intérpretes especializados são encontrados no século XVIII. Há algumas hipóteses sobre as diversas influências no nascimento do cante flamenco, algumas mais relevantes que outras, a seguir: 


    Influência oriental: fenícios e cartagineses


    Andaluzia Antiga: As bailaoras de Cadiz, citadas nos escritos de Juvenal e Marcial . estes autores relatam danças ritmicas, acompanhadas de "crótalos", um tipo de ancestral da castanhola e suas canções. Estes registros datam do séc. I a.C.
    Influência grega: Especialmente os cânticos litúrgicos bizantinos (canto gregoriano), cujos aspectos melódico e escala utilizada  também aparecem no flamenco. Continua....


      Influência Hindu


      Influência Árabe


   O termo cante é uma denominação coletiva que abarca e diferencia um copioso número de canções dentro do grande conjunto dos cantares próprios do povo andaluz e que, como já amplamente sabido, aflorou no seio da família cigana como produto dessa etnia e do rico folclore andaluz. De fato, essa gente cigana , com notável faculdade para a arte do ritmo, encontrou nos campos e nos bairros populares onde se assentaram um rico e brilhante folclore de excepcional graça poética e , com sua genialidade de interpretação , absorveu com especial fervor as substâncias musicais desse esplendido cancioneiro popular, contribuindo com algo diferente , já que não novo, e de certo modo original: o cante, ou, se se quiser dizer com expressiva redundância, o cante flamenco.  
    Em nenhum outro lugar, ainda que forte a presença cigana, foi possível o aparecimento de algo parecido com o cante flamenco, donde se conclui que o "elemento andaluz" foi condição necessária para o aparecimento do cante, assim como o interesse e o gosto do povo e, ainda, a vitalidade e riqueza dos meios rural e urbano da região.


   Estilos primitivos ou básicos


       A denominação de primitivos ou básicos se justifica, posto que esses cantes deram origens a muitos outros de grande importância, ou bem deles receberam uma forte ou reconhecida influência. Os cantes dessa primeira época foram as tonás, martinetes, deblas, siguiryas (antes chamadas playeras), cañas, polos e corridas ,essas últimas hoje praticamente em desuso). Tais cantes , no entanto, por essa ocasião conservavam um caráter quase exclusivamente doméstico e somente ao alcance  de um pequeno número de iniciados, nas casas ciganas a que tinham acesso. nos tablados, nas estalagens e festas íntimas, até que chegassem , com a sua difusão, aos Cafés Cantantes. 
        Nutrido por tantas e diversas culturas, faz por fim sua aparição nas formas que hoje conhecemos os cantes flamencos. Surgem os primeiros nomes de seus intérpretes e se tornam famosos, mas ainda não profissionalizados. Esses cantes a que chamamos primitivos eram então cantados a "palo seco", isto é, sem qualquer acompanhamento e portanto com acentuada carência de  música instrumental, compensada por largos lamentos, bruscas paradas no cante e pela maestria do cantaor. Essas músicas , como já sabido, estavam relacionadas com as desolações e tragédias da vida cigana e da vida do povo em geral na época.
       Os castigos penais, o cárcere, as condições dos presos , os trabalhos forçados, são um dos temas mais abundantes , junto com os acontecimentos de sangue, mortes violentas em disputas e acidentes fatais cantados pela voz do povo. 
        Todos estes cantes se revestiam de igual dramatismo, aos quais os intérpretes acrescentavam alguma variante de sua invenção para mostrar sua capacidade criativa, além da potência de sua voz. Como veremos, só mais tarde se incorpora ao cante o acompanhamento de guitarra.
         
        As divisões dos cantes


     Uma classificação muito usada inicialmente e estendida até hoje, se bem que amplamente contestada, é a que divide os bailes e principalmente os cantes flamencos em grandes e chicos, ou pequenos.Tal divisão, no entender de Fernando Quiñones, "è sumamente desafortunada, já que dá origem a uma série de más interpretações e erros que geram confusão e injustiça, já que o realmente grande ou chico é a arte de quem interpreta esses cantes ou bailes. Não cabe dúvida, de que o baile por alegrias, por exemplo, é muito mais difícil que seu cante correspondente ( talvez o baile mais difícil e importante de toda a coreografia flamenca). Por outro lado, parece evidente que um cante completo por siguiriyas ou por soleares são gêneros mais para escutar do que para bailar, por mais valioso e belo que possa ser o se baile. Mais, acima dessas considerações, o importante é que o amante do flamenco faça por si só suas distinções, prefer~encias e avaliações, sem deixar-se influenciar por regras puristas e ortodoxas, muito menos importantes que o desfrutar dessa magnífica arte".
       Mais apropriado e pacificamente aceito pela quase totalidade dos estudiosos do flamenco é a divisão dos cantes em cante cigano e cante andaluz. Entende-se por canto cigano o conjunto de cantes desenvolvidos pelos ciganos, a partir do rico cancioneiro andaluz por eles encontrado, quando de sua entrada na região.Bem como aqueles para os quais foram mais inclinados, praticando-os com maior fervor e assiduidade, interpretando-os com mais estilo e emoção, muitos dos quais executados quase que unicamente por ciganos, nos albores de tais cantes. Já o cante andaluz se define como o conjunto de cantes surgidos com o "aflamencamento" de cantares populares de Andaluzia. A afluência desse cante ao conjunto de todo o cante flamenco ocorreu desde muito cedo, sendo a caña e o polo dos mais antigos, e já cantados em finais do século XVIII, época em que aparecem as primeiras notícias escritas sobre o flamenco.





   






ÁRVORE GENEALÓGICA FLAMENCA

     O Flamenco inclui dezenas de formas diferentes, palos , cada uma combinação única de ritmo, harmonia, pulso, e as letras. Há palos festeros e palos e profundamente expressivos, o chamado cante jondo (canção profunda) . Existem formas regionais e formas associadas com artistas individuais. Algumas formas surgiu diretamente da música folclórica da Andaluzia e outros foram criados no século 20.

     Os detalhes que distinguem um palo de outro podem ser sutis e confusos. Nem sempre é óbvio para o ouvinte que forma está sendo realizada. Não deixe que isto o desanime. O  flamenco deve ser uma fonte de alegria, não um exame auditivo em língua estrangeira. Basta ouvir muito, sem pressa, ao longo do tempo consegue-se distinguir os diferentes palos. Procurar conversar com músicos Flamencos também ajuda muito, eles podem te passar muita coisa.  Depois que passei a trabalhar com música ao vivo, meu nível de compreensão dos palos e da estrutura de um baile aumentou muito.


domingo, 26 de junho de 2011

Letras de Flamenco - Buleria

Al Alba - José Merce


Si te dijera amor mio
que temo a la madrugada,
no se que estrellas son estas
que hieren como amenazas,
dicen que sangra la luna
al filo de su guadaña.

Presiento que tras la noche
vendra la noche mas larga,
quiero que no me abandones
ay amor mio al alba.

Al alba,al alba
al alba,al alba.

Los hijos que no tuvimos
se esconden en las cloacas,
comen las ultimas flores
parece que adivinaran,
que el dia que se avecina
ay viene con hambre atrasada.

Presiento que tras la noche
vendra la noche mas larga,
quiero que no me abandones
ay amor mio al alba.

Al alba,al alba
al alba,al alba.

Miles de buitres callados
van extendiendo sus alas,
no te dentroza amor mio
mientra el silencio se avanza,
maldito baile de muertos
ay pólvora de la mañana.

Presiento que tras la noche
vendra la noche mas larga,
quiero que no me abandones
ay amor mio al alba.

Al alba,al alba
al alba,al alba.
Al alba,al alba
al alba,al alba
ay quiero que no me abandones
ay amor mio al alba.
Al alba,al alba
al alba,al alba
parece que adivinaran
ay amor mio al alba
Al alba,al alba
al alba,al alba
este silencio se avanza
ay amor mio al alba
Al alba,al alba
al alba,al alba
ay quiero que no me abandones
ay amor mio al alba.
Al alba,al alba
al alba,al alba... 



sábado, 4 de junho de 2011

LETRAS DE FLAMENCO - CANTINÃS


            TOMA ESTE PUÑAL DORAO (Cantiñas de la Mejorana, Rosa la Papera y Rosario la del Colorao)



Toma este puñal dorao
y ponte tu en las cuatro esquinas
y dame tu de puñalas
y no me digas que me olvidas
y no me lo digas jamas

Que con el aire que tu llevas
que cuando vas a navegar
que hasta el farol de la cola
que me lo vas a apagar

Cambiaste todo el oro por plata
la plata se volvio oscura
cambiaste todo el oro por plata
que cambiaste una noche muy clara
por una noche sin luna

Que disparate
que yo te quiera
como de antes

Mira lo que andan hablando
sin comerlo ni beberlo
to lo andan criticando

Dime tu que tienes
dime que te pasa
carita de rosa
dime tu que tienes
dime que te pasa
que estas tan llorosa

Pase por lo que tu quieras pase
yo he rapasaito mis libros
cuenta me tiene el dejarte

Que a mi me ha enseñao a querer
yo maldigo a la persona
que me ha enseñao a querer
yo tenia mi sentio
y ahora me encuentro sin el

Dime tu que tienes


domingo, 29 de maio de 2011

LETRAS DE FLAMENCO - TANGOS

ROSA MARIA - CAMARÓN DE LA ISLA

Verde silvestre del campo
y agua de laguna clara
así tengo comparaos los colores de tu cara.

Rosa maría, rosa maría
si tú me quisieras
qué feliz sería.

Tengo celos de las flores
del espejo donde te miras
del peine con que te peinas
y del aire que respiras.

Tienes alegría y belleza
y finura en el andar
y hasta tu risa es bonita
y distinta a las demás.







JOSE’ MERCE’

DEL AMANECER (1998)


1          DEL AMANECER... (Tangos)

Al amanecer y al amanecer
se le llama Aurora
al amanecer y al amanecer
mi corazon se enamora

Ni tuyas ni mias
nunca hubo entre nosotros
una palabrita fria
ni tuyas ni mias

Al amanecer y al amanecer...

Secretos del corazon
solo el corazon lo sabe
solo el sabe que es amor

Al amanecer y al amanecer...





sábado, 14 de maio de 2011

ORIGENS DO FLAMENCO - TEXTO 2

Fonte: Programa da turnê brasileira de Eva Yerbabuena


      Quando o cantaor lança um grito, um Ay! dilacerante que rompe a noite; depois, quando a bailaora aperta as ancas para vibrar o solo com seus saltos, o flamenco aparece como um desabafo; seja ele da mais contida ou da mais viva dor.  Naquele momento o espectador, seja ele andaluz ou não, não precisa de nenhuma explicação. Ele compreende, instintivamente , o que é o flamenco. Mas quando quer conhecer as origens do flamenco ou as diferentes acepções da palavra, não obtém uma resposta definitiva. O flamenco tem seus mistérios...É certo, porém, que o flamenco permanece uma música singular, ligada a curtos poemas, as coplas, freqüentemente fascinantes, sobre a qual enxertou-se a dança, (el baile).O canto (el cante),a música (el toque) e a dança (el baile) são indissociáveis. Estas é uma das raras certezas. Há ima outra, a de seu local de nascimento. A pátria do Flamenco é a Baixa Andaluzia e seu berço o triângulo formado por Sevilha - Jerez - Cadiz.
     O problema se torna mais complexo quando se aborda a etimologia do Flamenco. A palavra espanhola "flamenco" significa "flamengo". Seu estudo deu lugar a numerosas interpretações. O viajante inglês George Borrow, que viveu perto dos ciganos da Andaluzia, desde 1836, menciona em seu livro Los Zincali que se designa os ciganos sob o nome de novos castelhanos , de germanos ou ainda de "flamencos". Alguns adiantam que a palavra "flamenco" é um derivado da expressão árabe "fellahmengu" que significa "camponês em fuga", devido à proscrição dos ciganos (que aconteceu paralelamente à perseguição dos mouros em 1570, empreendida por Felipe II de Espanha). Outros consideraram que a palavra "flamenco" poderia ter sido importada da Flandres no século XIV por alguns "flamengos" da corte de Carlos V. O termo era compreendido então como um insulto , podendo ser aplicado aos ciganos.
       Viria ainda a palavra "flamenco" de "flameante" (flamejante) ou designaria - como hoje- os fanfarrões? Não esqueçamos, enfim, a versão de Francisco Rodrigues Marin que vê uma correspondência simbólica entre o flamingo rosa (igualmente flamenco), que vivia nas costas do Mediterrâneo e os andaluzes que ocupavam as tabernas , os locais de festa, e cuja silhueta lembrava a do palmípede.  Não bastasse a palavra "flamenco" dar margem a divergências, a própria história do Flamenco e de suas origens suscita igualmente numerosas hipóteses e polêmicas.
   
Cigano e/ou andaluz...
     
      Seria o flamenco criação exclusiva dos ciganos ? Se definirmos o flamenco como cigano , havemos de convir tratar-se de ciganos tomados sedentários e estabelecidos na Andaluzia. De onde vinham eles ? Do vale do Hindo onde, empurrados pelas tropas de Tamerião, teriam - a partir da Índia - ganhado a Europa pelo Egito, a África do Norte ou os Balcãs. O grupo conduzido por João do Egito Menor penetrou nas terras de Afonso V de Aragão, que deu-lhes o direito de lá se instalarem livremente(1425).Durante todo o século XV os ciganos conheceram um período de paz, que lhes permitiu entrar em sintonia com o folclore andaluz. Desse encontro nascerá o flamenco, canto profundo marcado pela melancolia, o faltalismo e o sentimento trágico da vida. De alguma forma, os ciganos fizeram emergir toda a riqueza artística acumulada durante séculos na Andaluzia, que viu se sucederem fenícios, romanos, bizantinos, visigodos, e coabitarem cristãos, judeus e muçulmanos.Os mouros predominaram na espanha de 711 a 1492, até a sua expulsão pelo rei Ferdinando e a rainha Isabel.
       A verdade hiastórica encontra-se a meio caminho, entre os que consideram que os ciganos estão na origem das formas primitivas do flamenco (encontramos aqui uma mistura musical de elementos orientais, judaicos , berberes e gregorianos, sendo a influência árabe notável principalemente nas técnicas inarmônicas, utilizando intervalos menores que o semitom)  e os defendores ferrenhos de um "andaluzismo". Jean Marie Lemogodeuc e Francisco Moyano, autores de um estudo sobre o Flamenco (coleção Que sais-je?, muito popular na França) sustentam que houve "uma lenta transição entre o substrato folclórico andaluz - constituído de romances , canções e danças populares, que originaram os corridos ou romances gitanos - e as tonás gitanes de canto profundo".
    Pode-se, portanto, considerar uma evolução progressiva e insensível dos ritmos e canções populares andaluzes ruma a uma "ciganização".
    Ao redigir em 1783 as regras para conter e castigar a errãncia e outros malfeitos daqueles chamados ciganos ,Carlos III coloca o cigano numa situação jurídica de igualdade com os espanhóis e vai tornar possível a emergência do canto e da dança flamenco. No início do século XVIII ainda não se encontram sinais da palavra flamenco como designativa de uma gênero musical, a as duas danças mais populares da época são fandango e a seguidilla - que dançadas no teatro por profissionais , serão enobrecidas pela "Escuela Bolera' ( a escola do balé clássico). A dança "flamenco", tal como hoje é praticada nasceu no século XIX.


El cante


   O primeiro nome conhecido de cantaor profissional é o de Tio Luis es de la Juliana. Há ainda El Planeta ( criador da seguirya)e seu discípulo El Filo. Eles viveram no início do século XIX e são todos ciganos.
    A primeira referência àquilo que pode ser considerado como do flamenco encontra-se na obra Escenas Andaluzas (cenas andaluzas) de serafin Estebanez Calderón, publicada em 1847: no capítulo "Dança em Triana" o autor enumera nomes precisos de cantes e de cantaores. Após a primeira geração do flamenco, de 1800 a 1860, vem a idade de ouro, de 1860 a 1910. Os primeiros cafés de cante ou cafés cantantes (cafés concertos) são abertos em Sevilha a partir de 1850: Los Lombardos, el Arenal, las Friperas, o Café de Variedades...Mas é principalmente com a abertura de "El Burrero" em 1880 ( que se tornará "Café del Burrero") e do "Café de Silverio" que o cante entra em plena atividade. Constata-se aí que os artistas "payos" (os não ciganos) são duas vezes mais numerosos que os ciganos. Os cafés cantantes teriam pois permitido aproximar as tradições andaluzas (malagueñas, Verdiales, Granaínas, Tarantas) e cigana (Siguiryas, Soleares, Martinetes, Bulerias, Tangos...). O cantaor permaneceu durante muito tempo o personagem principal mas, com o tempo o guitarrista assumiu crescente importância. O nível geral melhorou e os guitarristas inventaram novas técnicas.
      O desenvolvimento dos cafés cantantes teria desencadeado um transtorno irreversível na história do Flamenco. A partir daí ele deixa de ser uma exclusividade cigana; sai do universo privado e familiar para se transformar em espetáculo lucrativo. Abre-se assim a terceira fase do flamenco e sua teatralização.
      
 El baile


       No início do século XX artistas como Manuel de Falla ou Ramón Gomez de la Sema se inquietam: estaria o flamenco em decadência? Para manter vivas suas fontes criam um concurso de Cante Jondo, com a intenção de dar preferência aos "Cantaores que evitam as fiorituras abusivas". Ele acontece em 13 de junho de 1922 na praça de los Ajibes, em Alhambra. Acima do prêmio outorgado a Niño Caracol, o que importa é a tomada de consciência pelos intelectuais da época - como Federico Garcia Lorca - da dignidade e da riqueza do Flamenco.
        Por outro lado o espetáculo teatral assume uma importância bem particular já que ele fará o flamenco conhecido mundo afora. Não se trata mais somente de tablao,mas de cenas de teatro. 
        Em 1929, Antonio Mercé, "La Argentinita", cria a primeira companhia de balé espanhol, que estréia na Opéra Comique de Paris. Vicente Escudero apresenta , também na capital francesa, suas primeiras criações e redige seu Decálogo da Dança Flamenca (1949). É sem dúvida nesse momento que, no inconsciente coletivo, o baile(a dança) a que atualmente se associa o termo flamenco) suplanta o cante. O baile é o prolongamento do cante. Dele emana e se alimenta. A flama é animada pela voz do cantaor e, segundo Jean Cocteau, "o dançarino se consume nesta chama". a osmose é tal que o nome das danças é o mesmo que o dos cantos. Como o cante, o baile é leve nas alegrias, bulerias, rumba e forte, dramático nas soleares, seguiriyas e martinetes. E é a tradição: como o cantaor, o bailaor passa de um estado de tensão dramática a um estado de calma.Por exemplo: a dança que acompanha os soleares vê-se atenuada e adocicada, no momento de seu paroxismo, por uma passagem a um ritmo de bulerias ou a outros ritmos feitos no mesmo estilo.
        Ao estrear no teatro, o flamenco viveu um período de transição, onde por vezes a imagem exótica prevalece sobre a autenticidade. Mas não houve erosão do gênero, a após algumas indecisões, a arte do flamenco encontrou em grandes artistas (La Argentina, Carmen Amaya, Antonio Ruiz Soler, La Chunga, El Farruco, ou ainda Antonio Gades e Cristina Hoyos) sua força de emoção e de paixão.
        Os viajantes do séuclo XIX já observavam que é no domínio da dança, dos ritmos e da harmonia que a arte flamenca utiliza os elementos da arte sacra da Índia. Por suas atitudes, pelos símbolos mágicos desenhados por seus braços e seus dedos, a bailaora de flamenco não deixa de recordar ao espectador de hoje a dançarina indiana.


La Argentinita